segunda-feira, 13 de maio de 2013

Novidades do Congresso Americano de Arritmias

 Terminou há dois dias o Congresso Americano de Arritmias em Denver, Colorado. Com mais de 11 mil médicos é um dos maiores congressos médicos dos Estados Unidos. A abertura foi realizada pelo ex-presidente americano Bill Clinton. Excelente orador, ele abordou as discrepâncias sobre os sistemas de saúde no mundo mas evitou entrar em detalhes sobre a crise que está vivendo o sistema americano. 
 Os próximos posts trarão as últimas novidades no diagnóstico e tratamento das arritmias cardíacas.
 Milhões de pessoas no mundo estão vivas graças a colocação de pequenos aparelhos chamados de marcapassos, usualmente implantados quando o coração está batendo muito devagar (bradicardia).Estes aparelhos são conectados ao coração por fios chamados de eletrodos, os quais se movimentam a cada batimento cardíaco. Nosso coração bate aproximadamente 100 mil vezes por dia e, nao é a toa que o ponto fraco destes sistemas são os eletrodos.
Interessante estudo europeu demonstrou que um marcapasso sem eletrodos pode funcionar da mesma maneira que um marcapasso normal. Do tamanho de uma capsula de remédio, esta nova tecnologa pode durar até sete anos, tendo a mesma eficácia que um marcapasso normal. 
 Apear desta tecnologia já ter sido apresentada pela indústria durante os congressos há pelo menos 3 anos, pela primeira vez foi realizado um estudo controlado sobre seu implante em humanos. 
 Ainda não conhecemos a eficácia a longo prazo porém é muito provável que daqui a alguns anos os marcapassos serão colocados sem cirurgia e sem eletrodos.

Marcapasso sem eletrodos.
Marcapasso normalmente utilizado












terça-feira, 16 de abril de 2013

Sexo emagrece ?



 Sexo queima muitas calorias: Fato ou ficção?
 Seguidamente nós tomamos como verdades absolutas alguns mitos que podem não ser necessariamente verdadeiros. Segundo os especialistas o que importa é o fato e não as crenças. 
 A relação do emagrecimento com a prática de sexo consensual é um exemplo típico desta situação. Obviamente nem todas as pessoas fazem sexo para perder peso mas já conhecemos alguns dados objetivos: a perda calórica dos homens é de aproximadamente 100 calorias até o orgasmo, o equivalente a uma caminhada de 20 min. 
 Neste mesmo estudo verificou-se que a duração média de uma relação sexual é de 6 minutos (decepcionante...).  Vale a pena observar que  este estudo foi conduzido em 1984 e não mediu o gasto calórico das mulheres.
 Hoje em dia, ao mesmo tempo que aumentou a preocupação com uma vida saudável, o número de pessoas com obesidade ou sobrepeso cresceu muito. 

 O que será que aconteceu com nossa vida sexual, voces acreditam que gastamos mais ou menos energia do que antes? 



terça-feira, 9 de abril de 2013

Comunicação com pacientes, a chave para o sucesso



 Muito se fala das dificuldades na relação entre os médicos e seus pacientes.
 Nosso sistema de saúde quase obriga o médico a atender muitas consultas em pouco tempo, com isto a comunicação fica ainda mais dificil. Os problemas mais frequentes são a dificuldade do paciente explicar ao médico seus problemas e o médico não comunicar-se de maneira com que o paciente entenda o tratamento necessário. Esta situação acaba levando tanto a omissão de informações pelos pacientes assim como pelos médicos. As duas situações  prejudicam muito o tratamento podendo colocar em risco o paciente.

 Para avaliar o tamanho desta dificuldade foi publicado (JAMA) um estudo em pacientes que colocaram marcapassos. 

 Dentre os resultados observou-se que 5 em cada 10 pacientes acharam que foram pouco informados sobre a cirurgia e em 70 % dos casos os médicos utilizaram expressões pouco conhecidas pelos pacientes. Por outro lado, 80 % dos pacientes não informaram o médico sobre suas dúvidas e inquietações.

 Esta dificuldade de comunicação aumenta os gastos para todos pois exige diversas reconsultas e exames desnecessários como também geram ansiedades e descontentamento para todos.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Palpitações e arritmias: diminua o risco de complicações






 A fibrilação atrial (FA) é uma arritmia cardíaca frequente. Ela se apresenta como uma alteração da regularidade dos batimentos cardíacos. Apesar de ser conhecida há quase 100 anos, sempre foi vista pelos médicos como uma arritmias "benigna". Nos últimos anos ficou confirmada sua associação com derrames (AVC) e mesmo aumento da mortalidade. 

 Muitas vezes ela não apresenta sintomas, sendo diagnosticada apenas durante consulta de rotina portanto, a identificação dos fatores de risco é importante. 

 Procurando entender melhor estes fatores, um grupo de médicos acompanhou um grupo de mais de 22 mil adultos por mais 11 anos.
 
 Foram realizadas diversas exames (peso, altura, colesterol, pressão arterial, sintomas medicações e outros fatores) periódicas e observou-se que as pessoas com pressão alta (hipertensão arterial), obesas e com queixas de palpitações tem mais chance de apresentar esta arritmia.

 Porque isto é importante? Devido ao aumento da chance de provocar derrames, o tratamento da fibrilação com remédios anticoagulantes é recomendado para a grande maioria dos portadores desta arritmia.



terça-feira, 19 de março de 2013

Morte súbita e casamentos: a união perfeita?





  O ataque cardíaco é mais perigoso em pessoas que vivem sozinhos do que nos casados ou com uniões estáveis, de acordo com pesquisadores finlandeses após avaliar mais de 15 mil casos.
 Esta diferença ocorreu principalmente quando ocorre que uma parada cardíaca fora do hospital. 
 Outras pesquisas ja demonstravam que os homens solteiros ou que moram sozinhos têm risco maior de doença cardíaca e morte, porem pouco se conhecia sobre o efeito do casamento nas mulheres.
 Este estudo mostrou que entre as mulheres 3 em cada 4 eventos ocorreram naquelas que moravam sózinhas.

 "Nosso estudo sugere que o casamento reduz o risco de morte devido em homens e mulheres em todas as idades", concluíram os autores. 

  Outro achado interessante é que o risco de morte após a alta é praticamente o dobro nos solteiros em ambos sexos.
  Portanto, para o coração a união estável além de diminuir o risco de ataque cardíaco ou morte súbita, diminui a mortalidade após a alta hospitalar.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Marcapassos e a saúde do papa




Reproduzo excelente post do dr. Marcio de Figueiredo, UNICAMP, sobre a relação entre os marcapassos e a renuncia papal.

Carnaval, tempo para a folia de uns, descanso e reclusão de outros… E nesse ano, nada sugeriria que fosse diferente, até que… O Papa renunciou! Estávamos todos acostumados com a ideia de sucessão por falecimento do Santo Padre – a última renúncia foi a do Papa Gregório XII (1406 a 1415), há quase 600 anos. Esta, então, deixa a todos aturdidos e buscando explicações.
Imediatamente, autoridades eclesiásticas e estudiosos tentam achar explicações, entre elas o estado de saúde e as implicações na função de Chefe da Igreja, com viagens e compromissos internacionais. E, em meio dessas notícias, nos deparamos com uma informação surpreendente: o Papa tem um marca-passo!  Mais ainda: foi recentemente submetido a uma pequena cirurgia para a troca da bateria do aparelho! Será que, enfim, esse é um motivo para o ocorrido?
Não, não é. É bom esclarecer o assunto, já que é um erro comum que nós, especialistas em alterações do ritmo cardíaco, nos deparamos, isso sim, diariamente. E, por isto, se faz necessário explicar à população leiga sobre os implantes de dispositivos implantáveis, como marca-passos e desfibriladores (CDIs).
Especificamente para este caso, vale uma curta e objetiva explicação: O que é um marca-passo? O coração tem um sistema elétrico natural, que comanda o ritmo cardíaco todos os dias, ininterruptamente, desde antes do nascimento. Mas esse sistema pode apresentar falhas, por desgaste ou até mesmo por problemas antes do nascimento. Nesses casos, o coração pode bater mais lentamente do que o necessário, podendo acarretar em riscos para a saúde ou para a vida. Assim, na metade do século passado foram desenvolvidos aparelhos implantáveis que, através de circuitos eletrônicos, garantem o ritmo cardíaco. Com o tempo, os aparelhos foram aperfeiçoados, e os mais modernos têm novas funções, como a possibilidade de tratamento de paradas cardíacas, ou que auxiliam alguns casos de enfraquecimento do músculo cardíaco.
Essas pequenas maravilhas da tecnologia, que normalmente têm o tamanho de uma bateria de telefone celular, salvam milhões de vidas no mundo todo. Na Unicamp, assim como em vários hospitais no Brasil e no mundo, os implantes são procedimentos rotineiros. E, periodicamente, é feita a análise por aparelhos especiais, que indicam, inclusive, qual o momento da troca da bateria, que é feita através de um procedimento cirúrgico relativamente simples.
Mas é comum relacionar a prótese a incapacidades físicas e laborais, embora na maior parte dos casos isso não ocorra. Quando é indicada a colocação do aparelho, o objetivo é fazer com que o paciente retome uma vida praticamente normal. Existem pequenas limitações, sim, que são explicadas pela equipe ao paciente ou aos familiares. No entanto, o que muitas vezes ocorre é a progressão da doença que levou ao aparecimento do distúrbio do ritmo. Nesses casos, o prognóstico depende da doença cardíaca, e não do uso do marca-passo.
Deve haver, portanto, outras causas para a renúncia. A profundidade do debate, e o interesse sobre o tema, dependem de cada um. Mas estou certo de que o Papa fez sua escolha com liberdade e sabedoria. E espero que ele continue com saúde e com a pilha nova: o marca-passo poderá ajudá-lo nessa nova fase!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Será que a obesidade diminui o risco de morte cardíaca?



Diversos estudos recentes tem demonstrado que pessoas com peso acima do recomendado (baseado no aumento do índice de massa corporal - IMC) tem menos risco de morte por doenças do coração. Os médicos tem chamado este achado de "paradoxo da obesidade", ou seja apesar de gordinho o risco de morte por doença do coração diminuiria.
 Mas parece que as coisas não são bem assim. Estudo recente e bem conduzido mostrou que a relação do IMC com o aumento da gordura abdominal (a famosa barriguinha) na verdade aumenta o risco de doença cardíaca!
 A chamada gordura abdominal tem como uma das suas causas o aumento da quantidade de gordura entre os orgãos do abdomem, o que aumenta o risco de diversas doenças, dentre elas o diabete, a pressão alta e o derrame cerebral. 
 Portanto, devemos controlar não apenas o peso (IMC) mas também a distribuição da gordura. O exercício e uma dieta saudável são o único caminho para uma vida mais longa. A famosa "barriga da cerveja" pode ser bem mais perigosa do que parece...